O setor de máquinas e equipamentos no Brasil já mostrou uma forte retomada no primeiro trimestre deste ano e deve registrar o melhor março da história em faturamento, mas pode voltar a perder o vigor com uma possível elevação na taxa de juros, afirmou nesta terça-feira o presidente da Associação Brasileira de Indústria de Máquinas (Abimaq), Luiz Aubert Neto.

O Comitê de Política Monetária começa a discutir a Selic, taxa básica de juros, nesta terça e há indicativos de elevação.

Os dados sobre o faturamento da indústria de máquinas ainda não foram fechados e serão apresentados no mês que vem, segundo Aubert Neto. "Os números apontam março com faturamento histórico, o melhor março da história. (...) Se não for o melhor, certamente será um dos melhores", disse na apresentação de dados sobre o setor agrícola na Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), em Ribeirão Preto.

Aubert ressalta, porém, que uma possível elevação na taxa de juros pode colocar o setor em risco. "Vi no jornal que o presidente do Banco Central defende uma paulada na taxa de juros (reportagem da "Folha de S.Paulo" abordou a expectativa do governo de elevação dos juros). Uma alta vai reverter todo esse processo que estamos recuperando. O BC tem outras formas de conter a inflação, pode diminuir o prazo de financiamento. Um setor sai ganhando, o bancário, e o resto sai perdendo. Se o juro subir, vai ser um crime para o setor de investimento."

O presidente da Abimaq descartou que a indústria de máquinas não esteja conseguindo atender a demanda, conforme a teoria de alguns especialistas para explicar a necessidade de elevar a taxa.

Máquinas agrícolas

Nesta terça, foram apresentados os dados do setor de máquinas agrícolas e implementos, que é um dos 30 grupos que compõem a Abimaq. O faturamento do segmento cresceu 29% no primeiro trimestre na comparação com o ano anterior.

Os dados do segmento, assim como de outras áreas, juntamente com os de financiamento, são o que levam a Abimaq a esperar um recorde para o faturamento de março, disse Aubert Neto.

O faturamento passou de R$ 1,1 bilhão de janeiro a março do ano passado para R$ 1,4 bilhão de janeiro a março deste ano. As exportações também subiram 21% - de R$ 130 milhões para R$ 158 milhões.

Outro indicativo positivo no setor de máquinas agrícolas é o nível de emprego, que teve leve alta de 2%. O crescimento foi menor, segundo Celso Casale, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas, porque, mesmo com a crise, as empresas optaram por não demitir. "Isso porque o setor tem mão de obra bastante especializada. As empresas tomam cuidado para demitir, porque na retomada pode ser complicado."

Conforme Casale, os dados indicam que pode ser possível atingir a meta de crescer 30% em 2010 no setor de máquinas e implementos agrícolas. "Nós fizemos projeção de que cresceria em termos de faturamento 30%. Na pior das hipóteses, podemos fechar o ano com faturamento em alta de 25%."

O diretor de Assuntos Corporativos para a América do Sul da John Deere, Alfredo Miguel, afirmou no evento que o setor de máquinas agrícolas vive um momento "excepcional". Para ele, no entanto, é preciso melhoria nas políticas agrícolas e planejamento. "Não se fala no sistema de financiamento agrícola no país. Muito produtor ficou sem crédito na crise. (...) Precisa que agricultura tenha estrutura mais profissional. A gente não vai crescer em área, mas em produtividade, em tecnologia."

Autor(es): G1

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