Segundo Índice do Ciesp/Fiesp, o recuo de abril frente ao mês passado foi de 0,4%, com ajuste sazonal. O resultado negativo, contudo, reflete fim de incentivos tributários e queda nas vendas

Após 13 meses de altas consecutivas, em abril o Indicador de Nível de Atividade (INA) do Ciesp e da Fiesp apresentou ligeira queda de 0,4%, em comparação ao mês passado, já livre das influências sazonais. Isso, no entanto, não inibiu a performance do primeiro quadrimestre, cujo aumento de 16,8% foi o melhor desde 2003.

Sem o ajuste sazonal, abril apresentou queda de 5,6% em relação ao mês anterior. Em comparação ao mesmo período do ano passado, no entanto, o dado apontou alta de 13,6%. No acumulado de 12 meses o índice subiu 1,4%, atingindo, pela primeira vez após a crise, um patamar positivo.

Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira (27), pelo diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) do Ciesp e da Fiesp, Paulo Francini. Ele assegurou que o número negativo é muito pouco expressivo, "praticamente tendendo a zero", e que não ameaça a atividade "robusta" da indústria.

"Desde fevereiro do ano passado não víamos uma baixa no INA. Ela se deve essencialmente a um dos componentes do índice: a venda", explicou. De acordo com Francini, o período assistiu ao fim de programas de que reduziam a carga tributária sobre os produtos, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Esta particularidade foi responsável pela queda considerável das vendas nos setores de veículos e linha branca, exemplificou.

"Portanto, não é possível dizer que temos uma queda de vigor da atividade produtiva. E além do empecilho tributário, a forte aceleração está se acomodando", sublinhou o diretor. Para ele, "isso não significa que vamos parar de crescer, mas que caminharemos mais lentamente, o que é absolutamente natural".

Ao mesmo tempo, continuou Francini, o comportamento do mês de abril é sempre negativo, com exceção apenas de dois anos em toda a série histórica.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) manteve o processo de recuperação da indústria, avançando 1,5% sobre março. Com ou sem o ajuste sazonal seu resultado foi o mesmo, e fechou o mês com 82%. "A dona NUCI continua bem comportada e mostra a folga da produção".

Atividade setorial

O diretor reforçou que as vendas reais também influenciaram na performance dos setores, porém de maneira pouco significativa.

A confirmação disso vem com máquinas e equipamentos, o segmento mais destacado do INA que, em comparação a março, cresceu 2,7%. Segundo Francini, seu desempenho -sinaliza tranqüilidade, porque o setor espelha diretamente o investimento e a capacidade de produção industrial.

"Em relação a abril do ano passado o aumento foi só de 50,8%", ironizou. "Máquinas e equipamentos é a lenha da fornalha, e nos diz que a indústria está se preparando e se modernizando para a demanda futura", ressaltou.

Veículos automotores, por sua vez, sentiu mais a queda das vendas e ficou com 3,2% negativos. Conforme apontou o diretor, isso ocorreu porque a alta do setor está mais ligada aos incentivos tributários, que deixaram de vigorar em abril. Em relação ao mesmo período do ano passado, subiu 21,7%. "É uma frente que se reergueu muito rapidamente, e como todas as outras é normal que apresente uma desaceleração", disse.

Para Francini, o mesmo fenômeno se aplica a papel e celulose. "O segmentou teve uma queda bem próxima a zero. 0,2%, e isso é só um ajuste ao ritmo frenético de até então", ressaltou. Em comparação a abril de 2009, o saldo ficou positivo em 12,3%.

Perspectiva empresarial

Em maio, o resultado geral do Sensor da Fiesp captou aumento do otimismo do empresariado com a conjuntura paulista, prosseguiu Francini. O resultado geral registrou 57,6 pontos. Computaram alta as expectativas para vendas (60,6) e emprego (56,8). Já mercado e estoque permaneceram estáveis – com 62,8 e 54,7, respectivamente. Investimento foi único com ligeira queda e fechou com 52,8 pontos.

"O Sensor não enxerga no horizonte nuvens negras ou perigosas. O céu ainda é de brigadeiro", brincou o diretor. "A percepção do empresário é a melhor para demonstrar que a atividade industrial não está negativa", acrescentou.

PIB

No final da reunião, Francini ainda comentou a respeito da expectativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB). Ele lembrou que no primeiro trimestre de 2010 houve um salto positivo de 2,5%, já em resposta à boa recuperação frente à crise econômica. "Se mantivermos a mesma atividade ao longo do ano, ou seja, ficarmos no patamar atual, fecharemos 2010 com no mínimo 5,5% de aumento", destacou.

Porém, em sua opinião, o PIB continuará em alta mais modesta nos próximos trimestres. "Se isso ocorrer, chegaremos tranqüilamente aos 7%", concluiu.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP)

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Autor(es): Agência Indusnet Fiesp

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