A missão empresarial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) participou, nesta quarta-feira (2), do seminário “Oportunidades de Investimentos no Brasil”, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores, em Xangai, na China.

Cerca de seiscentas pessoas – entre autoridades, empresários e imprensa – estiveram presentes no evento que tem como objetivo alavancar relações comerciais entre Brasil e China e potencializar as exportações brasileiras para aquele país. A abertura contou com a presença do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e da vice-ministra do Comércio da China, Ma Xiu Hong.

O diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti, um dos palestrantes do seminário, destacou dois setores da economia brasileira que considera estratégicos e que podem atrair ainda mais investimentos nacionais e estrangeiros: o setor de alimentos e o de energia renovável.

Segundo Giannetti, a abundância de bens naturais de nosso país, com quase 300 milhões de hectares disponíveis para plantação, é um diferencial que o transforma em um dos maiores produtores de alimentos do mundo. “Somos o primeiro exportador do mundo em café, suco de laranja, açúcar, carne bovina e frango; o segundo país em exportação de milho e soja; e o quarto em carne suína, entre outros produtos”, detalhou. Atualmente, o Brasil é o principal fornecedor de alimentos da China.

Em sua apresentação, mostrou como o setor de energias renováveis brasileiro pode ser considerado o mais experiente produtor de etanol do mundo e o número um em exportações: aproximadamente 20% da produção estão disponíveis para o mercado externo. Além disso, o país se posiciona como uma economia de baixa emissão de carbono, tendo mais de 45% da produção de energia baseada em matéria-prima renovável.

“A energia renovável é capaz de reduzir o ciclo de produção, gerar empregos, criar exportação para muitos países, diversificar as fontes de energia para além da fóssil e usar as potencialidades da biomassa para produção elétrica e combustível”, ressaltou o diretor do Derex.

Giannetti enfatizou que o potencial do mercado de etanol é enorme e, para que cresça ainda mais, é preciso que alguns mitos sejam desfeitos. Entre eles, o de que o etanol compete com o petróleo e que a produção do combustível renovável causa impactos negativos à biodiversidade brasileira. “O etanol é produzido a mais de dois mil quilômetros de distância da floresta Amazônica, nas regiões de cerrado dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso”, lembrou.

O diretor do Derex acredita que há muitas possibilidades de investimentos conjuntos entre os dois países. Segundo Giannetti, o Brasil possui a melhor tecnologia de agricultura tropical do mundo para processar e exportar alimentos. Setores como de logística e de infraestrutura também são bons gargalos para investimentos estrangeiros.

Mas é na área de biocombustível que está grande parte das oportunidades. E o Brasil espera ampliar as fronteiras desse mercado com a participação da China. “Podemos trabalhar juntos, brasileiros e chineses, na criação de novos negócios para que a África possa ser também exportador líquido de combustível renovável em parceria com Brasil e China”, ressaltou.

Em 2009, Brasil e China tiveram um comércio bilateral de US$ 36,1 bilhões. A China é o primeiro destino das exportações brasileiras e os investimentos recentes do dragão asiático em solo brasileiro alcançaram mais de US$ 6 bilhões.

Giannetti reforçou a reivindicação da classe empresarial brasileira para que a China se transforme, o mais rápido possível, em uma economia de mercado, com adoção de sistema de câmbio flutuante e a condenação mais firme de ações de comércio desleal, como dumping e crime de contrabando, práticas que prejudicam o setor produtivo brasileiro.

Ao final do seminário, a Federação promoveu rodadas de negócios entre empreendedores chineses e o grupo da missão empresarial de brasileiros, com representantes de setores variados, que vão de metalurgia ao design.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou um panorama da conjuntura brasileira e ressaltou que enquanto as economias de todo o mundo se recuperam da crise financeira de 2008, o Brasil, já mostra sinais de crescimento consolidado para o ano. “Em 2010, as economias que terão crescimento maior são as emergentes e a previsão para o Brasil é de um aumento acima de 5,5% do PIB”, destacou.

Os outros países do Bric devem acompanhar essa tendência. Para a China, o crescimento deve ser de quase 10%. De acordo com o ministro, o cenário que se desenha é ideal para que os dois países aumentem as trocas comerciais. Ele destacou os fatores que transformam o Brasil num país confiável para receber investimento estrangeiro: a solidez do sistema financeiro, a expansão do crédito, o aumento do mercado consumidor e os investimentos em infraestrutura, referindo-se ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, ambos realizados no Brasil, também contribuem para o aumento das oportunidades de negócios entre os países. “O crescimento da economia brasileira é sustentável e de qualidade, porque não gera desequilíbrios macroeconômicos, como o aumento da inflação”, explicou.

Apesar do cenário otimista, o ministro alertou que as importações brasileiras cresceram mais que as exportações, especialmente, de produtos chineses. Para mudar isso, o governo estaria tomando medidas para aumentar a competitividade dos exportadores nacionais. “O Brasil reúne as condições para dar continuidade ao crescimento sustentável e temos o potencial, junto com a China, de nos tornarmos uma das grandes economias do mundo nos próximos anos”, finalizou.

Alessandra Peruzzo e Mariane Corazza, de Xangai, China, para Ag. Indusnet Fiesp

Autor(es): Agência Indusnet Fiesp

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