Divulgado nesta quarta-feira (16), o Índice de Nível de Emprego da Fiesp e do Ciesp confirma que a indústria de São Paulo prosseguiu com seu bom desempenho no mês de maio, em virtude da abertura de 16,5 mil novas vagas de trabalho em relação a abril. Com ajuste sazonal, elas correspondem a 0,32%. Sem o ajuste, o crescimento foi de 0,67%.

O saldo acumulado no ano indica que já foram inaugurados 139 mil postos de trabalho, ou 5,95% de crescimento. Frente ao mesmo período do ano passado, o nível ocupacional apresentou aumento de 2,73%%, diferença positiva de 66 mil vagas.

"Os números mostram claramente a tendência de continuidade no crescimento do emprego industrial. Tanto que este é o segundo melhor maio de toda a série histórica. Ficou atrás somente de 2007", atestou o diretor-adjunto do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Walter Sacca.

De acordo com Sacca, a tendência ao longo do ano é de aumento de empregos, e a expectativa é que 2010 acabe com saldo positivo de 5,6%, aproximadamente 130 mil postos. Caso a estimativa se confirme, este ano terá o melhor resultado percentual da série, explicou.

"Mesmo assim, em 2010 a indústria ainda não será capaz de reabsorver tudo o que perdeu na crise. A perspectiva é alta porque está diretamente relacionada a um período muito ruim de 2009", ponderou o diretor. Ele espera que em março de 2011 as 160 mil vagas que faltam para recuperar o nível pré-crise já estejam preenchidas.

Setores fortalecidos

Pela primeira vez, desde o início da série em 2005, do total de 22 setores analisados, apenas um – equipamentos de transporte (-0,1) – apresentou comportamento negativo. Para o diretor da Fiesp e do Ciesp, as outras 21 frentes demonstraram "consistência em seus resultados".

"Se observarmos os três últimos meses, podemos constatar que a média de setores positivos ficou em torno de 20, o que representa distribuição consistente e saudável dos empregos entre eles", sublinhou Sacca.

Desta maneira, os segmentos mais bem colocados são bebidas (2,3%) e fabricação de coque, petróleo e biocombustíveis (2,2%), que encerraram maio com crescimento praticamente igual. Em seguida, aparece o setor de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com aumento de 1,7% das vagas.

Desempenho regional

Quanto ao comportamento das Diretorias Regionais, 31 tiveram avanço de postos de trabalho, 4 fecharam vagas e uma se manteve estável. Neste mês, o destaque fica com Matão (2,93%), que saiu de uma série de quedas consecutivas desde o começo do ano.

O gerente do Depecon, André Rebelo, esclareceu o motivo: "O problema da região estava localizado na indústria de suco de laranja, que tem grande influência lá. Desde janeiro, ela vinha demitindo funcionários, mas agora reabriu os postos, fato que refletiu positivamente no nosso índice".

Com 2,3% positivos, Piracicaba fica com o segundo lugar do Estado, resultado puxado por veículos automotores e autopeças e máquinas e equipamentos. Em seguida vem Presidente Prudente, que avançou 2,03% no período, por conta dos produtos minerais e artefatos de couro.

Entre as regiões com desempenho negativo, São José do Rio Preto enfrentou uma dificuldade pontual e ficou com o pior resultado de maio – queda de 3,13%. "O caso de São José do Rio Preto é específico, pois uma forte empresa de abate de frango está mudando de região e, consequentemente, fechou vagas", disse Rebelo.

A segunda região com maior redução de empregos foi a de São Carlos (-1,49%), devido a máquinas e equipamentos. Por fim, Araçatuba recuou 0,43% no índice de emprego, reflexo do comportamento do fim da safra da cana de açúcar, principalmente.

O peso das usinas

Sacca lembrou que o levantamento Fiesp/Ciesp de emprego estabelece uma comparação direta entre o setor de açúcar e álcool e os demais, devido à grande importância econômica das usinas paulistas. Assim, suas oscilações percentuais causam visíveis distorções no índice.

Apesar de não ter comprometido o ritmo das contratações industriais, a interrupção do comportamento positivo do índice em abril se deu por motivos particulares no setor de açúcar e álcool, continuou. "Embora em maio o segmento tenha crescido somente 0,07%, no acumulado do ano foi responsável, sozinho, por mais de um terço das contratações", destacou.

Contudo, Sacca ressaltou que, nos últimos anos, a geração de empregos na usina vem caindo. Tendência que se acirrará em contrapartida ao intenso processo de automação que a colheita experimenta. "Até 2012, este fato se intensificará ainda mais, pois até lá está prevista a mecanização total da colheita de cana", concluiu.

Thiago Eid, Agência Indusnet Fiesp

Autor(es): Agência Indusnet Fiesp

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