Investir em ações da Petrobras é mais interessante para quem puder aplicar a longo prazo. Esse é o único consenso entre analistas sobre a capitalização da empresa, que deve ocorrer em setembro e pretende arrecadar R$ 100 bilhões em uma das maiores ofertas já realizadas no país.

O ambicioso plano de capitalização da Petrobras ainda está cercado de incertezas, como o valor do barril que a companhia receberá em reservas da União e a data exata do processo.

Para analistas, os investidores devem aguardar a definição dos detalhes da capitalização antes de tomarem decisões sobre investimentos na companhia -que poderão ser feitos no lançamento da operação ou até antes.

"Enquanto a capitalização não sair, a tendência é que os papéis fiquem muito voláteis e há o risco de ficarem mais "fracos'", avalia Eduardo Camargo Oliveira, operador da Um Investimentos.

Somente neste ano (até quinta-feira da semana passada), as ações ordinárias da estatal caíram 26,56%.

No mês passado, em meio à notícia de que a capitalização seria adiada para setembro, a queda foi de 9,28%.

A mudança na data foi justificada pela necessidade de esperar a avaliação da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) sobre o preço que a empresa pagará pelos 5 bilhões de barris em reservas que receberá da União, na chamada cessão onerosa.

Ainda assim, existe o risco de que, mesmo com o adiamento da operação financeira para setembro, a data não esteja totalmente garantida.

Por isso, investir na Petrobras é um negócio arriscado a curto prazo. "A capitalização ainda está muito conturbada. O formato, que não foi inteiramente definido, deixa o investidor inseguro", afirma Mônica Araújo, estrategista da Ativa Corretora.

"Porém, há a expectativa de que no médio e longo prazos a empresa estará mais bem posicionada e com perspectivas de continuação do crescimento da demanda por petróleo", completa.

Em dez anos, os papéis preferenciais da empresa valorizaram 617%. "A uma taxa anualizada, o rendimento foi de 21,78%, considerando que houve anos em que os ganhos foram maiores e outros em que foram menores", diz Oliveira. No período, investimentos atrelados à Selic valorizaram 318%.

Riscos

Além das incertezas em relação aos detalhes da capitalização, há ainda o temor de que a crise europeia dificulte os planos da empresa, pois poderá reduzir a disponibilidade de crédito externo para a economia brasileira.

Os analistas também avaliam o risco de a União elevar sua participação na empresa, que hoje é de 32,1%.

"Com o governo tendo mais poder sobre a Petrobras, a liquidez do papel poderá ser reduzida", afirma Clodoir Gabriel Vieira, analista da Souza Barros.

A União demonstrou que pretende reforçar a presença na companhia, o que poderá ocorrer caso acionistas não participem da capitalização.

Por outro lado, especialistas destacam as perspectivas positivas para os próximos anos. "A Petrobras tem um diferencial em relação às demais, o de que será outra empresa daqui a bem pouco tempo com o aumento de reservas. Isso também determina o valor dela", diz a estrategista da Ativa Corretora.

Além disso, a estatal tem uma posição privilegiada, por estar virtualmente sem concorrência na exploração de uma das últimas reservas de petróleo do mundo.

O operador da Um Investimentos acrescenta que as descobertas feitas no pré-sal sinalizam cenário positivo.

"Os campos avaliados têm bom potencial e a tendência é que se descubram novos, o que aponta para uma perspectiva positiva para a Petrobras e para os acionistas."

Autor(es): Folha de São Paulo

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