A indústria paulista continua contratando. O índice registrado em agosto (0,31%) representou um saldo líquido de 8.000 empregos, e foi a melhor variação percentual para o mês nos últimos seis anos. Com ajuste sazonal, a alta de 0,26% soma-se à série de quatro resultados positivos. Os números foram divulgados nesta terça-feira (14) pela Fiesp e o Ciesp.

Apesar da redução sazonal esperada para o final do ano, especialmente no setor de açúcar e álcool, em entressafra, o desempenho do índice deve continuar superior em relação aos quatro anos anteriores. O acumulado de 2010 é o melhor desde 2006, com crescimento de 7,49% de janeiro a agosto, o que corresponde a 180 mil vagas criadas sobre o mesmo período de 2009.

“O emprego continua crescendo na indústria do estado de São Paulo. Porém, não na mesma amplitude experimentada em meses anteriores, o que já era esperado em função do primeiro trimestre acelerado”, afirmou Paulo Francini, diretor de Economia da Fiesp/Ciesp.

Reabsorção de estoques

Segundo Francini, o fim dos incentivos tributários foi responsável pelo efeito sobre os estoques na indústria, que estão ligeiramente altos, conforme apontou a última pesquisa Sensor da Fiesp (43,1 pontos em agosto). Mas esse fenômeno, que não preocupa, deve ser reabsorvido aos poucos.

“Em períodos de aceleração, as indústrias sempre tendem a errar para mais na projeção de demanda, porque precisam estar aptas a atendê-la. Mas estoque é como um hematoma, que se dissolve no tempo. No terceiro trimestre isso é assunto resolvido e esquecido”, assegurou Francini.

Taxa recorde
O índice de emprego deverá fechar o ano com crescimento recorde de 5%, acima do desempenho obtido no ano de 2007 (4,6%). Já descontada a redução natural cíclica do emprego nos últimos meses do ano, estimulada pelo setor sucroalcooleiro, a indústria paulista terá criado 120 mil empregos ao final de 2010, em comparação com o ano anterior.

Com relação ao patamar pré-crise em agosto de 2008, a indústria paulista ainda tem um saldo em torno de 30 mil empregos a recuperar. A nivelação deverá ocorrer só no início de 2011, segundo a Fiesp/Ciesp, embora já seja possível falar em “situação semelhante” – devido à oscilação de contratações e demissões promovidas pelo setor de açúcar e álcool.

2011
A projeção da Fiesp para o PIB deste ano é de 7,5%, mas Francini alerta que parte desse crescimento é reposição de 2009, que fechou em -0,2%. A Federação aposta ainda que a economia brasileira cresça em torno de 4,7% em 2011 – o que poderia render uma alta próxima de 7% para a atividade industrial. O emprego, por sua vez, ficaria entre 3,5% e 4%.

Setores e regiões

Dos 22 setores analisados pelo índice, 15 tiveram comportamento positivo, 6 ficaram negativos e 1 permaneceu estável. Em agosto, o segmento mais bem colocado foi o de máquinas e equipamentos (1,2%). Com crescimento praticamente igual, produtos diversos fechou com 1,1% positivo. Móveis, 1,0%.

O setor de fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis liderou as baixas de emprego do mês, com fechamento de 2,1% das vagas de trabalho. Produtos de madeira apresentou queda de 0,6%, segundo pior resultado do índice. Por fim, produtos têxteis recuou 0,5%.

Quanto ao comportamento das Diretorias Regionais, 24 tiveram aumento de postos de trabalho, oito fecharam vagas e quatro ficaram estáveis. O destaque fica com Jacareí (2,39%), região que mais contratou. Sorocaba aparece em segundo lugar com 1,28% positivos, seguida por Cotia, que avançou 1,13% no período.

Entre as regiões com desempenho negativo, Santo André teve o pior resultado de agosto, com queda de 3,19%. As outras duas regiões com maior redução de empregos foram Jaú (-1,65%) e São João da Boa Vista (-1,32%).

Autor(es): UOL Empregos

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