Mercado de trabalho exigirá profissional sustentávelPossuir práticas sustentáveis e conhecimentos sobre o tema é hoje um diferencial no mercado de trabalho. Em um futuro próximo, quem entender do assunto será um profissional cobiçado. Mais adiante, será pré-requisito: “logo passará a ser exigência, como um diploma ou segundo idioma” – prevê o professor do curso de Administração da FAE, em Curitiba (PR), Luis André Werneck Fumagalli.

O professor, que venceu o I Prêmio Desafios do Milênio por ter elaborado uma disciplina sobre sustentabilidade, é um dos incentivadores da formação de profissionais que conheçam o assunto, independente da área de atuação a que pertençam. A disciplina eleita será ofertada como optativa a alunos da graduação, pós e mestrado, matriculados em qualquer um dos cursos da instituição.

Fumagalli afirma que, na área de negócios, esse conteúdo é fundamental. Isso se deve ao fato de que o modelo empresarial consagrado em meados do século passado – baseado na produção em larga escala e no consumo descartável – já não é o que os consumidores defendem. “Hoje temos que oferecer produtos duráveis, obtidos a partir de matérias-primas renováveis ou recicláveis e customizados, atendendo exatamente o que quer o cliente, que é muito mais consciente e atento”, enfatiza. De acordo com Fumagalli, o modelo atual privilegia a fidelização a longo prazo, mesmo com lucros menores.

As empresas sustentáveis estão preocupadas com o todo, não apenas com as receitas e ascensão próprias. “A sustentabilidade para os negócios é aquela voltada para a manutenção e o progresso das comunidades nas quais as empresas estão inseridas”, explica. Segundo o professor, esse olhar abrangente não só as tornaria social e ecologicamente responsáveis, como também duradouras e lucrativas. Ele acredita que, se a sociedade se desenvolve, passa a ter acesso a bens e serviços oferecidos pelos empreendimentos – e isso alimenta um ciclo sustentável.

O professor lamenta que a difusão interna do conceito amplo de sustentabilidade nas empresas ainda seja insipiente. “Além disso, a temática geralmente é desenvolvida de forma lacônica, privilegiando apenas a preservação ambiental e uso racional de recursos”, constata. “Já é um grande avanço, sem dúvida, mas ainda falta um entendimento mais amplo do que é a verdadeira sustentabilidade”, ressalva.

Segundo Fumagalli, falta conscientização acerca do tema, por parte da comunidade, do governo e das empresas. “Todos querem maximizar seus resultados, cada um para o seu lado, e esta maximização de resultados envolve baixos custos de produção”, salienta. O professor enfatiza que é preciso que os recursos sejam entendidos como finitos, que o consumidor se importe com a origem dos produtos e que o governo imponha leis mais rígidas e fiscalize-as propriamente. “Tudo isso é necessário para que os preceitos da sustentabilidade se estabeleçam em todos os setores sociais”, afirma.

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