Indústria de SP fechou 6 mil vagas de trabalho em setembroA indústria de SP fechou 6 mil vagas de trabalho em setembro, uma queda de 0,23% na comparação com agosto, levando em conta os efeitos sazonais. A queda na indústria de transformação foi de 0,62% na leitura mensal, com ajuste sazonal. A Fiesp e o Ciesp divulgaram os números em coletiva, nesta quinta-feira (13 de outubro). Desconsiderando os efeitos sazonais, setembro é o pior mês da série histórica.

No acumulado do ano, foram geradas 100 mil vagas, o que representa um crescimento de 3,87% de janeiro a setembro. A retração no quadro de empregos da indústria paulista já era esperada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) por conta da diminuição da demanda e, principalmente, pela substituição de produtos industrializados por importados.

“Já esperávamos isso antes desse episódio mais agudo da crise na Europa. Sem ajuste, esse é o primeiro setembro negativo da série que começou em 2006”, explicou André Rebelo, assessor de assuntos estratégicos da presidência da Fiesp. “A expectativa é que o ano encerre em torno de 0,5% ou próximo de zero.”

Do total de vagas fechadas, 2.028 correspondem ao setor sucroalcooleiro, o qual apresentou queda de 0,08% em setembro e uma variação negativa de 1,92% no acumulado do ano, com o fechamento de 49.532 postos. Os demais setores registraram, no entanto, resultado positivo de 5,79%, gerando 149.532 novos postos de trabalho no acumulado do ano.

As baixas no setor sucroalcooleiro exerceram uma forte pressão sobre o índice de emprego na indústria paulista em setembro uma vez que as quedas na moagem e produção de açúcar e álcool tem refletido um volume menor produzido na temporada 2011/12.

“Esse ano tivemos alguns problemas climáticos, a produção de cana apresentou quebra na ordem de 10 a 15%, e estamos terminando a safra antecipadamente, por isso temos um efeito mais negativo no emprego do que nos outros anos”, avaliou Rebelo.

Setores e regiões

Indústria de SP fechou 6 mil vagas de trabalho no mês noveDas atividades analisadas no levantamento, 11 tiveram comportamento negativo, uma ficou estável e outras 10 registraram variação positiva. Produtos Alimentícios concentrou a maior queda com 1,1% em setembro, seguido por Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos com 0,9%.Os segmentos de Produtos de Madeira e Bebidas fecharam o mês com alta de 1,2% e 1,1%, respectivamente.

O Índice de Emprego apurou, ainda, que das 36 regiões analisadas cinco apresentaram quadro estável, 17 registraram variação negativa e 14 computaram alta. Matão foi destaque entre os comportamentos de alta com 1,80%, puxado por Produtos Alimentícios (3,56%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (1,68%). Em seguida, Jacareí registrou o segundo melhor indicador com alta de 1,50%, impulsionado pelos ganhos em Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (5,27%) e Produtos Têxteis (3,48%).

Dentre as regiões com comportamento negativo estão Presidente Prudente (-5,70%), Santa Barbara d´Oeste (-1,26%) e Cotia (-0,76%). A primeira foi influenciada pelos setores de Produtos Alimentícios (-13,41%) e Coque, Petróleo e Biocombustíveis (- 4,25%).

O índice de Santa Bárbara d`Oeste sofreu interferência dos setores de Confecção, Vestuário e Acessórios (-4,06%) e Máquinas e Equipamentos (-0,86%). Em Cotia, os segmentos que mais apresentaram queda foram Máquinas e Equipamentos (-2,65%) e Produtos de Borracha e Plástico (-1,30%).

Crise 

Sobre o agravamento da crise financeira mundial, Rebelo estimou que os efeitos dessa piora para a economia serão sentidos no longo prazo, na medida em que os contratos de exportação sejam cancelados, os bancos fiquem mais restritivos nas operações de crédito por proteção, como ocorreu na crise de 2008. 

“Acreditamos que esse movimento pode ocorrer com menor intensidade e de forma mais diluída no tempo. Não virá tudo de uma vez como foi em 2008”, explicou. “Por enquanto não há sinais de descontinuidade das operações de exportação e nem manifestações de dificuldades de credito externo. Assim, ainda não podemos falar de efeitos diretos e concretos da crise na atividade industrial e no emprego.”

Autor(es): Fiesp/Ciesp

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