produção industrial cai em setembroA deterioração do cenário externo, com a crise da economia internacional, e a competição dos produtos importados contribuíram para a produção industrial brasileira cair 6,3 pontos em setembro sobre agosto, registrando 48,6 pontos. As informações são da Sondagem Industrial de setembro, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira, 25.10. Os indicadores variam de zero a cem. Valores acima de 50 mostram evolução positiva, estoques acima do planejado ou utilização da capacidade instalada (UCI) acima do usual.

Segundo a pesquisa, a UCI, que ficou em 45 pontos, está abaixo do usual pelo décimo mês consecutivo. Mesmo com o recuo da atividade no mês passado, a indústria acumulou estoques, cujo indicador marcou 52,9 pontos. “Até agosto, a indústria estava perdendo o ritmo de crescimento. Setembro dá início a um período de queda na produção que deve se estender”, diagnosticou o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.

A indústria operou em média com uma UCI de 76% no mês passado. Esse resultado aponta moderação da atividade industrial, uma vez que em setembro normalmente há crescimento da produção. “Não fosse pela sazonalidade favorável do fim do ano, quando há aumento das vendas, provavelmente a indústria estaria vivenciando uma queda mais significativa na produção”, destaca a Sondagem.

O economista da CNI Marcelo Azevedo afirmou que a UCI em baixa afeta os investimentos no parque industrial. “No futuro, a queda nos investimentos pode afetar a capacidade de produção”, alertou.

Após cinco meses de crescimento mais intenso, o nível de estoques, cujo indicador registrou 50,9 pontos, cresceu pouco em setembro, mas continua elevado. “Isto é uma notícia muito ruim, porque é caro para as empresas manter estes estoques. O acúmulo de mercadorias pode reduzir ainda mais a produção nos próximos meses”, avaliou Azevedo.

A Sondagem Industrial, que ouviu 1.737 empresas entre 3 e 18 de outubro, das quais 951 são pequenas, 542 médias e 244 grandes, apontou estabilidade no emprego na indústria em setembro. O indicador de 50,3 pontos no mês passado mostra, contudo, de acordo com o levantamento, que a indústria não pretende aumentar a oferta de vagas.


Insatisfação

O acúmulo dos estoques, mais acentuado nas grandes empresas, fez com que a insatisfação dos empresários dessas empresas com o lucro aumentasse e a satisfação com a situação financeira se reduzisse. “A atividade industrial das grandes empresas deverá permanecer baixa nos próximos meses, a fim de baixar os estoques”, prevê o levantamento.

Para todos os portes de empresas, os indicadores de margem de lucro e de acesso ao crédito caem pelo quarto trimestre consecutivo. Em relação ao lucro, que marcou 45,9 pontos no terceiro trimestre, os empresários demonstram insatisfação. O mesmo ocorre no acesso ao crédito, cujo indicador marcou 44,7 pontos no terceiro trimestre. Mesmo com melhora sobre o segundo trimestre, que teve 43,8 pontos, o indicador ainda sinaliza dificuldade no acesso a recursos para investimento.

Os empresários apontaram a alta carga tributária e a competição acirrada no mercado com os produtos importados como os principais entraves para as empresas de todos os portes no terceiro trimestre. A pesquisa chama a atenção para o problema de falta de demanda, que continua muito acima do registrado pelos empresários no terceiro trimestre de 2010.

Otimismo menor

A piora nos indicadores de produção industrial se reflete na queda do otimismo dos empresários sobre o futuro. O indicador de demanda para os próximos seis meses recuou de 58,7 pontos em setembro para 56,1 pontos em outubro, o menor valor do ano. Em relação às contratações para os próximos seis meses, as perspectivas são de estabilidade, ao registrar 50,1 pontos neste mês, ante 52,5 pontos em setembro.

As expectativas para compras de matérias-primas recuaram de 54,8 pontos no mês passado para 52,5 pontos em outubro, o menor valor desde abril de 2009. Somente o indicador de perspectivas para exportações para os próximos seis meses melhorou, subindo de um pessimismo de 49,4 pontos em setembro, para uma expectativa positiva de 51,5 pontos em outubro.

Entre os 26 setores da indústria de transformação pesquisados, a indústria automotiva teve forte queda em setembro, após um agosto de elevado crescimento. O indicador de evolução da produção passou de 56,1 pontos para 39,5 pontos de um mês para o outro. Diz a Sondagem que esta inversão ocorreu pelo elevado nível de estoques indesejados, cujo indicador atingiu 57,3 pontos no mês passado. A UCI do setor ficou em 40,5 pontos, muito abaixo da linha dos 50 pontos.

Autor(es): CNI

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