crise do euroA União Europeia voltou a considerar, durante a cúpula de governantes que está sendo realizada em Bruxelas, nesta quarta-feira, recorrer à ajuda dos países emergentes para conter a crise da economia na Europa.

Uma das opções estudadas nesta quarta-feira pelos governantes da zona do euro para reforçar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) é criar um mecanismo especial de investimento, em parceria com o FMI, para atrair investidores estrangeiros privados e públicos.

Dessa maneira, Brasil, China e outras economias emergentes poderiam comprar títulos públicos dos países europeus com problemas, tanto nos mercados primários como secundários. O FEEF ofereceria garantias contra uma parte das perdas no caso de quebra do país em questão.

A ideia poderá ser aprovada pelos governantes da zona do euro durante uma cúpula de emergência que celebram nesta quarta-feira em Bruxelas. Esta é quarta reunião de alto nível organizada pela UE em menos de uma semana na tentativa de solucionar a crise e evitar que contagie a Itália, a terceira maior economia europeia

Vantagens

Não está claro o que se ofereceria como vantagens aos novos investidores. Um funcionário europeu explicou à BBC Brasil que ao contribuir com o fundo de resgate europeu, o Brasil teria um forte argumento para exigir um papel mais importante para os países emergentes no FMI.

No entanto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já afirmou que o país não tem interesse em comprar títulos europeus. Por outro lado, a China teria se mostrado a favor de contribuir, com a condição de ser reconhecida como economia de mercado.

O assunto deverá fazer parte da agenda de uma viagem que o diretor do FEEF, Klaus Regling, realizará ao país na sexta-feira.

Cúpula decisiva

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia iniciaram nesta quarta-feira um cúpula considerada decisiva para resolver a crise do euro, embora já tenham admitido que há vários temas pendentes que dificultam um acordo.

"A cúpula de hoje certamente é importante, ainda temos que resolver uma série de problemas; o trabalho ainda não está feito, mas acho que todos viajam para Bruxelas com o objetivo de fazer grandes avanços", declarou a chanceler alemã, Angela Merkel.

Por enquanto, os líderes chegaram à sede do Conselho Europeu com um acordo para a recapitalização dos bancos europeus, dos quais exigirão um capital básico de 9% e aos quais darão o prazo de 30 junho de 2012 para reunir os fundos necessários, segundo uma minuta à qual teve acesso a Agência de Notícias EFE.

Essa segunda cúpula deve resolver, em princípio, vários assuntos pendentes, principalmente a revisão do segundo resgate grego e a participação nele do setor privado, assim como a ampliação da capacidade do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).

"Provavelmente não poderemos definir os últimos detalhes de todas as questões, mas a direção conjunta deve ser esclarecida", comentou o primeiro-ministro luxemburguês e presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. Tamanha é a incerteza que em Bruxelas circulam rumores sobre a possibilidade da convocação de uma nova cúpula nos próximos dias, algo que nenhuma fonte oficial confirmou.

(com informações da EFE)

Autor(es): BBC Brasil

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