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ANP suspende operações da Chevron no Brasil

A diretoria da ANP informou ter concluído que 'a perfuração de reservatórios no pré-sal implicaria riscos de natureza idêntica aos ocorridos no poço que originou o vazamento'

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ANP suspende operações da Chevron no BrasilTodas as atividades de perfuração da empresa de petróleo Chevron no Brasil foram suspensas hoje (23/11) à noite por tempo indeterminado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A decisão foi tomada em Brasília, por ordem da presidente Dilma Rousseff.

Segundo a ANP, não cabe recurso administrativo à decisão. Com a determinação, a companhia norte-americana está proibida de perfurar poços em direção ao pré-sal. A intenção de acessar a camada ultraprofunda foi manifestada pela Chevron em pedido oficial recentemente encaminhado à ANP. A petroleira requeria autorização da agência para perfurar um novo poço no campo de Frade (Bacia de Campos), desta vez para atingir o pré-sal.

As punições à companhia foram tomadas pela direção da ANP, que se reuniu hoje para decidir o que fazer. Segundo comunicado divulgado pela agência após a reunião, "a suspensão das atividades de perfuração no Campo de Frade" vigorará "até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento de petróleo e restabelecidas as condições de segurança na área". "Essa deliberação suspende toda atividade de perfuração da Chevron do Brasil Ltda. no território nacional", acrescenta a nota.

Como justificativa da rejeição ao pedido da Chevron para investir no pré-sal, a diretoria da ANP informou ter concluído que "a perfuração de reservatórios no pré-sal implicaria riscos de natureza idêntica aos ocorridos no poço que originou o vazamento, maiores e agravados pela maior profundidade". Ainda de acordo com o comunicado, a suspensão "não alcança as atividades necessárias ao abandono definitivo do poço 9-FR-50DP-RJS e a restauração das suas condições de segurança".

"A decisão se baseou nas análises e observações técnicas da Agência, que evidenciam negligência, por parte da concessionária, na apuração de dado fundamental para a perfuração de poços e na elaboração e execução de cronograma de abandono, além de falta de maior atenção às melhores práticas da indústria", diz a nota.

A empresa dos Estados Unidos manifestou-se sobre a proibição de suas atividades no Brasil com uma frase: "A Chevron vai seguir todas as normas do governo brasileiro e de suas agências". A causa oficial do vazamento é um procedimento equivocado da companhia na injeção de lama no poço. A pressão do material teria rompido a parede do espaço perfurado. Pela brecha aberta, o óleo vazou e atingiu o oceano, alcançando a superfície, por ser mais leve que a água.

ANP suspende operações da Chevron no BrasilNa ANP, existe a suspeita de que o reservatório natural de petróleo pode ter sido atingido, o que torna o acidente mais grave. Um rompimento de parede do reservatório complica os procedimentos de contenção do vazamento.

Mais cedo nesta quarta-feira, o presidente da Chevron Brasil Petróleo, George Buck, veio a público pedir desculpas ao povo brasileiro pelo vazamento de óleo provocado pela empresa. O pedido foi feito em audiência pública na comissão de Meio Ambiente na Câmara dos Deputados.

Buck afirmou que a empresa trabalhou com "total transparência" com as autoridades brasileiras em relação à divulgação das informações do vazamento da Chevron e a atuação da empresa para conter o incidente.

Ele observou, no entanto, que a situação foi muito complicada nos primeiros dias do acidente. "No primeiro dia, a divulgação das informações com transparência foi muito difícil", admitiu.

Buck não é o primeiro a se desculpar publicamente. Outros presidentes de empresa já tiveram de ir a público para lamentar uma falha grave de suas companhias. Entre as empresas estão Azul, Toyota e British Petroleum.

Executivos da Chevron depõem sobre vazamento no Rio

Dois executivos da Chevron Brasil prestaram depoimento no inquérito da Polícia Federal que apura o vazamento de óleo na Bacia de Campos, na tarde de ontem. Eles foram ouvidos pelo delegado Fabio Scliar, chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Delemaph). Scliar também pretendia ouvir um funcionário da Transocean, empresa contratada pela Chevron para perfurar o poço. Ele está trabalhando embarcado e o depoimento foi remarcado para terça-feira.

Scliar investiga falhas na perfuração no poço e a informação de que as empresas teriam trabalhadores em situação irregular. O presidente da Chevron, George Buck, informou que os documentos de todos os trabalhadores que atuam no projeto de perfuração do poço foram revisados e que não há irregularidades.

Amanhã, autoridades do setor do petróleo e do meio ambiente e executivos da Chevron vão se reunir com deputados estaduais, numa audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir o vazamento. "Algumas questões precisam ser respondidas, como qual a verdadeira quantidade vazada e qual o contingenciamento realizado", afirmou o deputado Alessandro Calazans (PMN), vice-presidente da Comissão de Minas e Energia.

Segurança

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, evitou fazer comentários sobre o investimento em segurança da estatal - sócia da Chevron no poço que sofreu vazamento. "É irrelevante o valor do investimento em segurança. O problema principal é evitar que o acidente ocorra. O importante é a prevenção".

Gabrielli negou-se a opinar sobre os procedimentos da Chevron. "Pergunte ao operador do campo. Não vou comentar nada do operador". Afirmou, no entanto, que haverá um "acerto de contas" com a empresa americana, ao ser perguntado sobre o fato de a Petrobrás ter de dividir com a Chevron as multas pelo vazamento. "O acerto de contas com a Chevron é depois. Se ela usou recursos nossos (no combate ao vazamento), vai pagar".

A Petrobrás tem 30% de participação no Campo de Frade. Segundo Gabrielli, a multa tem que ser paga pelo operador, mas os contratos assinados com os sócios não-operadores podem prever a divisão de possíveis multas. Ele não esclareceu se é o caso do contrato com a Chevron em Frade, porque as cláusulas são confidenciais.

* Com informações da Agência Estado

Época Negócios

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