Minério de ferro e ouro impulsionarão lucro da Vale

O avanço no preço do minério de ferro, que cresceu aproximadamente 23% até março, na comparação com o quarto trimestre de 2012, e o acordo da Vale com a canadense Silver Wheaton (SLW) de venda de ouro, são os dois principais fatores que devem ter impulsionado o resultado da mineradora brasileira nos três primeiros meses de 2013.

Os pontos acima compensarão o fraco volume de vendas sazonal do período, na avaliação de Felipe Reis e Alex Sciacio, analistas do Santander, que preveem o melhor desempenho operacional para a companhia desde o terceiro trimestre de 2011.

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Embora o volume de minério de ferro vendido deva ter caído 2%, em bases anuais, o preço médio por tonelada deve ter aumentado em 8% pelas estimativas do banco.

"O fator preço isoladamente irá adicionar US$ 1,6 bilhão à linha das receitas da empresa", estimam os especialistas, em relatório.

Para a receita líquida da Vale de janeiro a março, a projeção do Santander aponta evolução de 6% em bases anuais, e estabilidade na margem, para R$ 11,7 bilhões.

O prognóstico de Reis e Sciacio para o lucro, e para o Ebitda da mineradora foram inflados pelos US$ 1,9 bilhão decorrentes do acordo com a SLW, anunciado no início de fevereiro, pelo qual a companhia brasileira tem direito a um pagamento inicial nesse valor, por determinada quantia de ouro vendida.

Para o lucro líquido, a estimativa dos analistas aponta alta de 21% na relação anual, para R$ 4,617 bilhões. A comparação marginal não pode ser feita, já que de outubro a dezembro, a empresa teve prejuízo de R$ 2,647 bilhões.

Para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), o incremento previsto é de 50%, na comparação anual, e de 69%, frente ao período imediatamente anterior, para R$ 7,427 bilhões.

"Essa previsão de resultados positivos e o fato de ser improvável a adoção do imposto de participação especial no próximo código de mineração brasileiro devem se refletir favoravelmente no preço das ações, embora já fossem esperados de modo geral pelo mercado", ponderam os analistas do Santander, que tem a recomendação de compra para o ativo VALE3, com preço-alvo de R$ 45, o que corresponde a um potencial de valorização de 34,7% em relação ao fechamento desta terça-feira (23/4).

"Mais importante que vendas e preços neste trimestre será a ausência de perdas, ajustes de ativos e pagamentos extraordinários de impostos, que reduziram o resultado do quarto trimestre de 2012 em US$ 4,5 bilhões", diz Luiz Francisco Caetano, da Planner, que também recomenda a compra, mas do ativo VALE5, também com preço-alvo em R$ 45,00, mas que, nesse caso, embute potencial de valorização de 41,1%.

Leitura um pouco mais sóbria fazem Marcos Assumpção e André Pinheiro, do Itaú BBA, que esperam por um balanço apenas neutro da Vale no primeiro trimestre do ano, à medida que, na avaliação desses especialistas, o aumento nos preços da matéria-prima irá somente neutralizar o efeito do menor nível de embarque de minério, e não compensar.

Ainda que os analistas do Itaú BBA não estejam tão otimistas em relação ao balanço da Vale como os do Santander, a recomendação deles para os ADRs da mineradora é de outperform, o que corresponde a aposta de que os ativos terão uma performance acima da média do mercado.

*Com informações do Brasil Econômico

Autor(es): Da Redação

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